Menina Curiosa

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Eu sou a Velha Menina. O meu cabelo é uma teia de aranha com gotas de orvalho...

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Terça-feira, 16 de Outubro de 2007

Por terras de Sua Magestade

Muito se fala de fuga ao fisco, pagamentos em atraso, dívidas a fornecedores, e outros atabalhoanços financeiros que tais.

Todos conhecem o exemplo daquele Sr. Zé, Manuel ou Joaquim que faz as contas num bocado de papel e só dá factura a pedido do cliente.

Mas esses são o chamado "peixe-miúdo", que o "graúdo" só é comentado quando escândalos financeiros fazem a abertura de um qualquer telejornal.

E comentam os Portugueses com o desânimo que os caracteriza : "Isto nunca se há-de endireitar, se fosse lá fora isto não acontecia."

Não?

Aconteceu-me ter de me deslocar a terras de Her Royal Magesty Queen Elizabeth the II.

Imagem da Internet

Aterrei no nada magestoso aeroporto de Heathrow. Chovia "cats and dogs" e a temperatura estava uns bons dez graus abaixo da que tinha deixado em terras Lusitanas.

Aí começou a minha odisseia: encontrar um táxi para me levar ao hotel.

A maioria dos very british motoristas recusava-se porque o trajecto era curto e não ia compensar (onde é que eu já ouvi isto?).

Valeu-me um dos seguranças do aeroporto, que abordou um taxista com ar decidido, abriu a porta para eu entrar e mandou-o seguir.

Imagem da Internet

O súbdito de Sua Magestade nem se incomodou em desligar o intercomunicador, desabafando a sua frustração em dialecto local, com inúmeras repetições da "f*** word".

Por essa altura eu só queria mesmo chegar ao hotel e tirar a britânica humidade das minhas roupas, fiz de conta que não percebia como boa estrangeira.

E foi então que aconteceu.

Chegámos ao hotel e o mister taxi-driver pediu-me as pounds...sem me apresentar o recibo.

Um funcionário do hotel aproximou-se e perguntou se havia algum problema.

Respondi-lhe em inglês coloquial, que necessitava de um recido da despesa com o táxi e que o seu conterrâneo o estava a recusar.

Aí o façanhudo taxista vocifera em inglês coockney:

"That costs me money, you know?"

What?

Passar um recibo de um serviço prestado custa-lhe dinheiro? E aos outros contribuintes não? Ou serão os impostos dos taxistas  ingleses tão astronómicos que sustentam sozinhos toda a monarquia?

Respondi-lhe que isso era ilegal e que ele tinha de passar o recibo.

"- Ilegal? Só se for no país atrasado de onde veio! Não vou passar o recibo e se insistir levo-a de volta para o aeroporto!"

Aqui não pude evitar uma gargalhada. O imbecil preferia fazer o mesmo trajecto duas vezes recebendo zero, a passar um recibo sobre o valor de uma só corrida.

E no meu País "atrasado", em casos destes chama-se a polícia e o assunto é tratado.

Viva o meu País!

O recibo acabou por surgir, estando o arreliado súbdito de Sua Magestade devidamente enquadrado por dois seguranças do hotel enquanto escrevia...

Tão cedo este taxista não volta àquele hotel...

 

 


 





música: Queen - God Save the Queen

publicado por A Velha Menina às 14:35

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De página_dos_sentimentos a 3 de Novembro de 2007 às 14:27
Desde os tempos de Beresford padecem os Ingleses da triste e desilegante condição de sentimento de superioridade em relação aos portugueses e, igualmente, restantes estrangeiros. Por terras de sua masgestade é tudo algo duvidoso, embora me assuma como monárquico. Serão os principes mesmo principes?
O enfatuamento e o snobismo dos Ingleses vão ditar o fim da sua cultura e tradições milenares.
Gostei muito do texto. Adeus.


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