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Menina Curiosa

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Eu sou a Velha Menina. O meu cabelo é uma teia de aranha com gotas de orvalho...

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Quinta-feira, 18 de Outubro de 2007

A prepotência dos médicos...ou o estado da saúde?

JURAMENTO DE HIPÓCRATES

" Eu juro, por Apolo, médico, por Esculápio, Higeia e Panacea, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue: estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar meus bens; ter seus filhos por meus próprios irmãos; ensinar-lhes esta arte, se eles tiverem necessidade de aprendê-la, sem remuneração e nem compromisso escrito; fazer participar dos preceitos, das lições e de todo o resto do ensino, meus filhos, os de meu mestre e os discípulos inscritos segundo os regulamentos da profissão, porém, só a estes.

Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém. A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva.

Conservarei imaculada minha vida e minha arte.

Não praticarei a talha, mesmo sobre um calculoso confirmado; deixarei essa operação aos práticos que disso cuidam.

Em toda a casa, aí entrarei para o bem dos doentes, mantendo-me longe de todo o dano voluntário e de toda a sedução sobretudo longe dos prazeres do amor, com as mulheres ou com os homens livres ou escravizados.

Àquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar, eu conservarei inteiramente secreto.

Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha profissão, honrado para sempre entre os homens; se eu dele me afastar ou infringir, o contrário aconteça."

Hipócrates

 

 

Imagem da Internet

 


 

Qual juramento de Hipócrates, qual quê!

Não deve haver profissão mais bizarra em Portugal.

Contradições entre o "dever" e o "é assim".

Lamento senhores doutores, mas hoje estou zangada com a classe.

Descobri muito estupefacta, que a figura a que temos de chamar "Médico de Família" tem um poder sobre os nossos destinos, maior do que alguma vez pensei.

Felizmente, raras foram as vezes em que tive de usar o Serviço Nacional de Saúde - se é que ainda se chama assim.

Hoje foi uma dessas vezes. Ou melhor, ontem, que desde o dia de ontem que ando atrás da figura.

Como se trata de um documento que só o senhor doutor médico de família pode passar, e não tinha consulta marcada, passei ontem pelo centro de saúde para levar um "o senhor doutor foi almoçar e à tarde só atende grávidas".

Pronto, está bem, é meio-dia paciência. Volto cá amanhã de manhã.

- "Vamos ver se o doutor recebe a senhora. Em Novembro vamos abrir a marcação de consultas para Dezembro."

Estupefacta! Pasmada! E outras figuras de espanto...Então, se uma pessoa precisa da chamada "baixa" e tem 5 dias para a apresentar na entidade laboral...como se pode aguardar até Dezembro?

Alguém explica?

- Tente passar por cá amanhã mais cedo.

Tente?

Sem marcação, sem registo do pedido e com idosas filas de utentes para a consulta, que cerram fileiras à porta do centro de saúde, ainda o Sol não se adivinha no horizonte?

Resignei-me. O interesse era meu.

Mas cá dentro, ficou-me uma raivinha surda. Então agora uma pessoa tem de adivinhar que vai precisar de uma assinatura do senhor doutor com mais de um mês de antecedência?

Hoje lá me arrastei para o meio da mole de idosos, que têm todo o tempo do mundo mas querem ser os primeiros atendidos como se esse tempo lhes fugisse...

Esperei, esperei e esperei.

Quando já só restavam duas pessoas na sala, entra uma senhora carregada de papéis. Curiosamente, conseguiu a tão difícil entrevista com o doutor.

Voltou à sala de espera, deixou cair os papéis e eu, ingenuamente ou por uma educação que já não se usa, fui ajudá-la pensando que era uma doente.

- Muito obrigada. Não se incomode. Que maçada, ainda tenho de voltar lá dentro.É que eu sou dona de uma farmácia e vim aqui com estas receitas para o doutor me resolver umas coisas ."

Nem queria acreditar.

Então eu estava há horas à espera e a dona-de-farmácia passou por toda a gente por um assunto de receitas?

E com todo o à-vontade do mundo, voltou a entrar para o gabinete!

O pior estava para vir.

Despachada a farmacêutica, o doutor pespegou-se ao telefone. Falou do almoço e blá-blá-blá.

Olhou para  mim especada à porta do gabinete e vociferou-me:

-Hoje não atendo mais ninguém.

E foi em vão que lhe disse que só precisava de uma assinatura, que era uma questão de segundos.

Mas a prepotente criatura, irredutível.

-E já não pode estar aqui que eu fechei as consultas por hoje. Não estava marcada, paciência.

Em desespero de causa e pouco habituada a ser tratada com tamanha arrogância, ainda lhe perguntei se o meu tempo de utente tinha sido consumido pela dona de farmácia.

A criatura limitou-se a vestir o casaco e a sair placidamente do gabinete, atirando-me:

- E não venha amanhã, que não estou cá.

Esta agora! E eu? Com o fim-de-semana pelo meio, o senhor doutor não sabe que fica complicado em termos laborais?

Com que direito se recusa a receber uma pessoa que não adivinhava que ia precisar dele?

Escusado será dizer que fui directa à administração.

De nada serviu. O piso estava deserto, a hora de almoço é sagrada.

Quando finalmente apareceu alguém, foi para me dizer que não podia fazer nada. O médico estava ao serviço, portanto, nem se podia pedir a um colega que o substituísse e me passasse o papel que precisava!

- Está ao serviço, mas não está disponível!

- Pois, mas como está ao serviço, não podemos fazer nada. Se estivesse de férias era diferente.

Imagem da Internet

Devolvam os meus impostos!

Pago e não sou servida e ainda tenho de aturar a prepotência do médico de família?

Pelo menos dêm-me uma alternativa.

Porque raio tem de ser uma pessoa que nunca se vê, a única a ter o poder de decisão absolutista acerca da saúde ou doença de um trabalhador?

Pensam que é assim que evitam os abusos?

Eu é que me sinto abusada !

 

 

 




In the mood:
música: Não há, isto não merece!

publicado por A Velha Menina às 19:56

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13 comentários:
De Campeador a 18 de Outubro de 2007 às 23:30
Vi este Blogue e o tema está muito bem escolhido.

Bastante cultural.

Parabéns dum blogue que se estreou ontem.

Saudações amistosas.


De Campeador a 19 de Outubro de 2007 às 07:41
É com grande honra e entusiasmo que venho saudar todos os membros deste Grupo, esperando poder vir a contribuir para uma perspectiva útil em diversos campos de actividade.

Como sou novo, agradeço o favor de me orientarem nos propósitos que me animam.

Um abraço




De A Velha Menina a 20 de Outubro de 2007 às 18:15
Bem vindo.
Começa a "postar" para nós lermos.


De Campeador a 20 de Outubro de 2007 às 21:01
Realmente os médicos fazem o JURAMENTO DE HIPÓCRATES.

Mas, ao exercerem as suas funções, enfrentam uma classe politica que fez, por sua vez, o Juramento de Hipocrisia.

Encontramo-nos bem servidos com o nosso Serviço Nacional de Saúde.

Olhe querida Amiga, que Deus nos salve, pois do Ministério da Saúde não esperamos nada.

Um abraço


De A Velha Menina a 23 de Outubro de 2007 às 00:48
Podes crer !
Esta situação é surreal, não sei quem foi o génio que inventou este esquema que só prejudica quem cumpre.
Beijos


De Gatopardo a 21 de Outubro de 2007 às 21:44
Infelizmente, conheço demaiado bem essa realidade com que te deparaste...
Apenas uma palavra...Vergonhoso...
A pior coisa que pode acontecer a um utente do Sistema Nacional de Saúde é realmente adoecer ou necessitar de um documento assinado pelo seu médico de família...
Deixa estar...Se fosses um delegado de propaganda médica a acenar-lhe com uma semana de férias nas Caraíbas para ele e para a amante, vias que ele arranjava uma tarde inteira para ti...
Ou se morre da cura ou se morre à espera dela...


De A Velha Menina a 23 de Outubro de 2007 às 00:54
Eu queria acreditar que ainda havia ética, mas este episódio deixou-me tão triste...


De Anónimo a 24 de Outubro de 2007 às 16:52
Houve situações que me fizeram sentir menos bem por ser a m/ própria entidade patronal e não ter direito a "baixa" - como ter que trabalhar na manhã seguinte ao "desenlace de uma gravidez" (chamemos-lhe assim porque, na m/ opinião, por vezes é preferível a tristeza à crueza das palavras) - mas este post mostra que em todas as situações há sempre um reverso da medalha.
Deus me ajude a não voltar a precisar de médicos de família porque há cerca de três anos que não lhe ponho a vista em cima - não é que o dito resolveu comunicar a outra utente - por acaso, m/ familiar "in law" - o objecto da m/ última consulta!!??
Isto para não falar em experiências anteriores absolutamente ridículas, como comunicarem-me que tinha uma taxa elevada de colestrol (170) porque tinha excesso de peso (1,72 m x 54 Klg) e outras preciosidades!


De A Velha Menina a 26 de Outubro de 2007 às 01:41
Isso é gravíssimo! Que eu tenha conhecimento, o sigilo médico não pode ser quebrado, apenas com uma ordem judicial o sr. doutor pode debitar em ouvidos alheios o que sabe clinicamente e mesmo assim, de forma controlada.
Se puderes muda de médico.
Bjs.


De eu a 27 de Outubro de 2007 às 17:49
Tem toda a razão em tudo o que disse. Valho-nos alguns protestos, nem que seja para aliviarmos os sintomas de uma raiva explosiva contra o sistema.
bjokas


De A Velha Menina a 28 de Outubro de 2007 às 01:18
Esta situação é frustrante e não devia acontecer. Quase me sinto tentada a iniciar um movimento dos cidadãos pela qualidade da prestação de serviços de saúde...
Bjs.


De Vidente a 7 de Novembro de 2007 às 19:41
Ola

Quando as pessoas se queixam, queixam-se porque se sentem ultrajadas... é obvio

Mas quando se queixam tem de pensar onde está o erro...

1 - Quem fez a LEI que só o médico assistente poderia passar atestados não foi o médico, foi o Governo, isto sem se importar se havia ou não pessoal para o fazer... logo a culpa não é do médico mas do Governo

2 - O Médico é um funcionário público... tem um horário de trabalho e uma cabeça que tem limites de actuação... chega um ponto que não pode ver mai doentes, ou pode sair asneira... e aí ninguem diz... coitadinho, estava cansado e falhou... não.... dirão sempre "Aquele F*** da P*** não sabe o que faz..."

3 - O SNS pertence ao Estado... logo é ao Estado que compete fornecer o número de médicos em quantidade suficiente para as necessidades da população... se não ha, a culpa não é do médico, que é apenas um funcionário...

Acusar os médicos de animo leve é a mesma coisa que acusar os professores da má educação que temos, ou os funcionários das finanças dos impostos que pagamos... eles, afinal, são tao vitimas como nós...

Por isso ha um gabinete do utente... para reclamar... mas as reclamações devem ser sempre sobre situações e não sobre indivíduos, exceptuando a má educação... Apresentaste reclamação?

Se não, então não te podes queixar... afinal em vez de reclamares os teus direitos a quem deves não o fizeste... logo, de quem é a culpa?

Não me leves a mal... apenas acho que deves reflectir antes de acusar...

Um Beijo de Amizade


De A Velha Menina a 7 de Novembro de 2007 às 22:42
Dear Vidente:

Não leste com atenção o que escrevi.

É certo que o estado gere o SNS. Mas, mesmo que coloque mais 500 médicos em cada centro, apenas UM (o médico de família) tem autoridade para passar um certificado de incapacidade temporária, vulgo "baixa". Eu faço referência a quem resolveu colocar todo o poder de decisão sobre a saúde ou doença de um trabalhador num único médico...com os resultados que se viram...

O Sr. Doutor tem um horário para atender os doentes, até aqui tudo bem. Mas se o Sr. Doutor gastou esse horário com assuntos paralelos - tais como validar as receitas que a tal dona de farmácia lhe foi mostrar - aí, lamento, mas não está a cumprir o seu dever.
Além disso, finda a tal verificação de receitas - também é estranho a farmácia ter "aviado" as receitas e só depois ir fazer perguntas - mas dizia eu, que finda a verificação das receitas, a criatura pespegou-se ao telefone a combinar um almoço com um amigo qualquer. A chamada prolongou-se, no entanto o Sr. Doutor quando fechou a porta e saiu, ainda estava dentro do horário de atendimento.

É claro que fui reclamar. Eu escrevi que fui direita à administração do centro que gere o que tu chamaste de gabinete do utente. E nem me deixaram apresentar a queixa, visto que o médico oficialmente estava ao serviço, como podia verificar nas escalas. O facto de o senhor ter abandonado o edifício não tinha importância alguma. No computador dizia que ele estava ao serviço, portanto estava mesmo (!!!) Se estivesse de férias, arranjavam-me um dos que estavam por lá para passar a baixa.

Lê de novo o post.
Não estou a atacar toda a classe médica como responsável universal pelo estado degradante a que chegaram os nossos serviços de saúde - para os quais debito muitos euros todos os meses.

Estou é furiosa com a atitude prepotente desta pessoa em particular e pela impunidade com que toma este tipo de atitudes, coberto pela própria administração do centro de saúde.

E ainda não percebi (ou não quero perceber) porque razão a tal dona de farmácia ocupou mais de uma hora do tempo legal de consultas, com um assunto que, aparentemente, nada teria a ver com um centro médico.

Os abusadores ficam impunes, enquanto os que cumprem não são diferenciados nem premiados.
O sistema não funciona nem para o utente nem para os médicos que tenham ética e postura profissional.

Beijos.


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