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Menina Curiosa

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Eu sou a Velha Menina. O meu cabelo é uma teia de aranha com gotas de orvalho...

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Sábado, 4 de Agosto de 2007

Escapadinhas de fim-de-semana

 

 

 

 

Hoje deu-me para isto.

Recebi por email este texto (autor desconhecido), que não resisto a publicar (com fotos tiradas da Internet).

É como uma escapadinha de fim-de-semana da nossa partilha de corações partidos, refeitos e esperançosos...

Fez-me rir até às lágrimas (estas sim, valem a pena).

 

 

Sobre aquelas cenas de voltar à terra e tal e coiso....

 

Turismo Rural

 

Trata-se de um desporto nacional que antes se chamava "ir à terra". A diferença é que se fores à tua terra, vais de borla, e se fizeres turismo rural vais a uma terra que não é a tua e pagas uma pipa de massa. Para fazer turismo rural não serve qualquer terra. Tem de ser uma Terra "com encanto".

 

 

E o que é uma terra "com encanto"?

Obviamente, é uma terra que está num guia de terras "com encanto". Está-se mesmo a ver. A estas terras chega-se normalmente por uma estrada municipal "com encanto", que é uma estrada com tantos buracos e tantas curvas que quando chegas à terra estás mortinho para sair do carro.

E quando entras no café tentas integrar-te com os vizinhos.

- Bom dia, compadres! O que é que é típico daqui?

E o gajo do café pensa: "Aqui o típico é que venham os artolas da cidade ao fim-de-semana gastar duzentos contos".

 

A seguir, ficas instalado numa casa rural ou "casa com encanto", que é uma casa decorada com muitos vasinhos e réstias de alhos penduradas do tecto, que não tem televisão, nem rádio, nem microondas.

                          Em contrapartida, tem uns cabrões de uns mosquitos

 que à noite fazem mais barulho que uma Famel Zundapp.                     

       

Depois apercebes-te que os da terra vivem numas casas que não têm Encanto nenhum, mas têm jacuzzi, parabólica, Internet e video-porteiro. A tua casa não tem video-porteiro, mas tem uma chave que pesa meio quilo.

 

Outra vantagem de fazer turismo rural é que podes escolher entre uma Casa vazia ou ir viver com os donos da casa.

Fantástico!!! Vais de férias e, além da tua, ainda tens de aguentar uma família postiça. Que à noite queres ver o filme, eles os documentários e tu perguntas-te: "Quem é que manda mais? Eu, que paguei 600 euros ou este senhor que vive aqui?" Ganha ele, que tem um cacete.

 

Ainda por cima, dizem-te que tens "a possibilidade de te integrares nos trabalhos do campo". O que quer dizer que te acordam às cinco da manhã para ordenhar uma vaca. Não te lixa?

 

 

É como ires à bomba da gasolina e teres de pôr tu a gasolina, ou como ires ao McDonalds e teres de arrumar o tabuleiro. Ou seja, o normal.

 

Então, levantas-te às cinco para ordenhar as vacas. E digo eu: porque raio é que é preciso ordenhar as vacas tão cedo? O leite está lá! Não se podem ordenhar depois do pequeno-almoço? Eu acho que isto é só para chatear, porque a vaca deve ficar muita contente por a acordarem às cinco da manhã para um estranho lhe vir mexer nas mamas.

A vaca olha para ti como se dissesse: "Ouve lá, pá! Se queres leite vai ao frigorífico e abre um pacote!" É que é mesmo só para chatear!!!

 

Mas o "encanto" definitivo são "as actividades ao ar livre". Como quando te põem a fazer caminhada, que é aquilo a que normalmente se chama andar, e consiste, exactamente, em por um pé em frente ao outro até não poderes mais, enquanto os da terra vão num jipe com ar condicionado. Mas tu feliz da vida.

Vais pelo campo atordoado. Tornas-te bucólico e tudo te parece

impressionante: vês uma vaca e dizes: "Ummmmm, que cheirinho a campo". A campo não, a bosta!!! Mas, isso sim, é o bosta "com encanto". E tudo, seja o que for, te sabe maravilhosamente: na mesa pespegam-te dois ovos estrelados com chouriço e tu na cidade não comes estes ovos, nem estes chouriços. E perguntas ao empregado?

- Este chouriço é da matança?

- Quase, porque o gajo do camião da Izidoro ia morrendo ali na curva.

 De repente, ouves umas badaladas e dizes:

- Ah! Que paz! Não há nada como o som de um sino!...

 E o gajo do café diz-te:

- É gravado. Não vê o altifalante no campanário?

 Nesse momento, perguntas-te se os ruídos das galinhas e dos grilos Não estarão num CD: "RuralMix2006", "Os 101 Maiores Êxitos Campestres".

A única coisa de que tens a certeza é que os cabrões dos mosquitos são verdadeiros.

Pareces um Ferrero Rocher com varicela!!!

Eu acho que, de segunda a sexta, as pessoas destas terras vivem como toda a gente, mas ao fim-de-semana espalham pela estrada uns tipos mascarados de pastores e quando veêm que se aproxima um carro, avisam os da terra pelo telemóvel: "Hey, vêm aí os do turismo rural!" E mudam o cartaz de "Videoclube" pelo de "Tasca", soltam uns cães pelas ruas e sentam à entrada na terra dois avôzinhos a fazer sapatos, que depois tu compras uns e saem-te mais caros que uns Nike.

Enfim, acho que uma montagem tão grande como esta não pode ser obra de pessoas isoladas. Tenho a certeza de estão implicadas as autoridades.

 

Imagino o Presidente da Câmara: - "Queridos conterrâneos: este Verão, para aumentar o turismo, vamos importar mais mosquitos do Amazonas, que no ano passado tiveram imenso êxito. E quero ver toda a gente com boina, nada de bonés de pala da Marlboro. E façam o favor de pintar o espaço entre as sobrancelhas, que assim não parecem da província! E as avós: nada de topless na ribeira, que espantam os mosquitos! E só mais uma coisa: este ano não é preciso ninguém fazer de maluquinho da terra, que com os que vêm de fora já chega!

 

 

 

 

 

In the mood:
música: Cabritinha - Quim Barreiros

publicado por A Velha Menina às 00:35

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10 comentários:
De Infiel a 4 de Agosto de 2007 às 17:44
Lol adorei o post, está fantastico Fartei-me de rir com a ironia e humor negro
Força


De A Velha Menina a 16 de Agosto de 2007 às 15:56
E não é de rir?
Parece os velhos filmes portugueses a preto e branco, já os vi até à exaustão e continuo a rir-me de piadas que já sei de cor!

Ainda há quem se lembre de alegrar os nossos dias.

Beijo


De Lua de Sol a 17 de Agosto de 2007 às 13:04
Ri-me imenso! O post está giríssimo, além de muito bem escrito!
Por acaso é um pouco essa a ideia que faça do turismo rural... Nunca me fascinou... Então, a ideia da "família postiça" deixa-me horrorizada, ah, ah! E as caminhadas, pois, sempre me pareceram um pouco enfadonhas...
Beijinhos


De A Velha Menina a 17 de Agosto de 2007 às 20:56
Eu experimentei e realmente não passa disto.
Mosquitos incluídos

Bjs


De Alcaide a 3 de Setembro de 2007 às 11:50
Inverdades na oferta do turismo rural, assim como na sua utilização. O turismo rural deveria ter outra flosofia, a de tentar ofrecer a natureza, a ruralidade ,e a realidade, a quem já isso tudo perdeu. Não é verdade que as pessoas gostem muito de ir "à terrinha"...Aí... são confrontadas com a sua realidade, e ficam desgostosas com o que vêm e com o que foram. A vitória não está em ter ficado.. está em ter saído. E se em vez da casa rural, da vaca e dos mosquitos, fosse uma solar de família, as palavras não seriam já tão azedas. Não vão para turismo rural... tentem fazer quqalquer coisa... Cuba... Espanha, Itália, França.sei lá... e deixem lá os duzentos euros... eles agradecem e tratam-vos melhor, sem mosquitos.


De A Velha Menina a 4 de Setembro de 2007 às 16:52
O problema é que o turismo rural até poderia ser interessante se a oferta correspondesse às expectativas. Qualquer "artolas" da cidade até iria de bom gosto fazer uma "escapadinha" ao stress diário.
Mas querer transformar qualquer antigo estábulo em "casa com encanto" é, no mínimo, deprimente.
Já me aconteceu, em pleno Alentejo, ficar numa casa com muito encanto, sem água quente para o banho, com o quarto cheio de pó e teias de aranha nas janelas! O frio e a humidade no quarto eram de tal ordem, que tivémos de pedir aquecedores - em finais de Abril !
O pequeno almoço era um pré-fabricado pão com manteiga (nada do belo pão alentejano) e café com leite. Ponto.

Preço final: 300 Euros.

Isto assim não funciona, não é verdade?


De Alcaide a 5 de Setembro de 2007 às 14:56
Claro que tudo isso é uma verdade, embora esteja ainda poe se fazer um levantamento sobre a percentagem das "más condições e mau acolhimento" nas casas de turismo (quero incluir todo o tipo de turismo rural) A esmagadora maioria , não dará esse mau tratamento ás pessoas. Porém , não estará em boas condições na totalidade`
Apenas me levanto contra as campanhas contra este tipo de turismo, uma vez que é talvez uma das melhores maneiras de preservar o nosso património aequitectónico. Problemas maiores... O IPPAR trabalha mal ou não trabalha, as possibilidades de financiamento para a recuperação das casas , está cheio de "manhas e confusões". Os proprietários servem-se do pouco que conseguem, para fazerem a "vidinha deles"... Conheço casas que depois de afctas a este tipo de turismo, e depois de recebidos os subsídios, deixam de receber os turistas. Os processos são "interessantissimos"... A Direcção Geral de Turismo, não tem dinheiro, ou emprega-o no cimento do Algarve, ou em projectos megalómanos. O turismo das pessoas sem ser de "massas" não lhes interessa. Querem lá saber se as casas têm história, são típicas ou caracteristicas de épocas e regiôes... O património arquitectónico não está levantado... permitem quase tudo nas reconstruções, e em empreendimentos deste tipo. Depopis, as pessoas que vivem nestas casa, precisam de condições de vida que não têm... Janelas de madeira são lindas, mas e o preço? e a manutenção? e as ajudas nas reconstruções? Ponha-se o IPPAR a trabalhar, Haja uma politica de turismo séria para este tipo de situação, e talvez as vacas e as moscas tenham outro encanto...embora não deixe de as haver, e de gente capaz de tudo.
Não tenho casa de turismo de habitação, ou rural. Tenho campos e uma casa histórica que reconstruí
e quantas histórias eu tenho á volta desse processo! Pena as coisas estarem assim, e não se deixar de delapidar história, casas, aldeias, a nossa terra.Pena não haver verdade e princípios. Mas "gozar" , com o turismo rural, em vez de lutar contra o estado dele, é que não interessa. Mas com seriedade.


De A Velha Menina a 5 de Setembro de 2007 às 16:07
Caro Alcaide,
Obrigada pelo seu comentário.
A intenção deste post era simplesmente uma abordagem divertida a um tema de tempos livres.
Posso fazer o mesmo em relação a férias em Cancun ou outros destinos da moda.
Agora, se quisermos partir para uma análise séria dos problemas não é este o post indicado, pois os assuntos que refere devem ser tratados a partir de outro contexto, numa abordagem sócio-económica incluída nas políticas vigentes e carência da legislação e fiscalizações respectivas.

Se tem um blog, porque não escreve sobre isto? Poderemos partir daí para uma discussão séria.

Este post apenas pretende divertir. Nada mais.
Cumprimentos e volte sempre, a sua análise é muito objectiva.




De Anónimo a 24 de Outubro de 2007 às 17:47
Divertido é ele. É, eu sei que existe - até já entrei e saí em seguida. Mas felizmente existe o bom e o muito bom (e mais barato que o referido nos comentários), sem "réstias de alhos", com impressionante qualidade, bom-gosto, conforto, sem família, com família e, por vezes, com conversa interessante, o que é raro nos dias de hoje.
A grande maioria das experiências fez-me fã.


De A Velha Menina a 26 de Outubro de 2007 às 02:24
Acredito que nem tudo se assemelha às casinhas "com encanto", e ainda bem.
Todos precisamos de um refúgio bucólico para escapadinhas de fim-de-semana, sem mosquitos e sem chouriço Izidoro ...
Bjs


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