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Menina Curiosa

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Eu sou a Velha Menina. O meu cabelo é uma teia de aranha com gotas de orvalho...

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Sexta-feira, 4 de Janeiro de 2008

Eu nunca tive um Reveillon

Imagem da Internet

Ou melhor...o último foi antes de casarmos.

Depois...

Dizias que isso era parvoíce.

Que era melhor passar em casa, aceitando os entretenimentos televisivos - apenas no último minuto antes da meia-noite, até lá como sempre o écran enchia-se do vermelho os teus sanguinários filmes.

 

E eu sufocava.

Ansiava por vida, queria alegria, pessoas, contacto com qualquer coisa que não fosse holywoodesca, surround, 10 mortos por minuto e centenas de carros topo de gama alcançando outro lugar de topo no céu, no meio de incêndios que mais parecem poços de petróleo a arder...

Queria ouvir algo mais do que "C'me on, c'me on!" "Watch out" BUMM!!!

E tu dizias: o que tens não te chega?

E lá ficava eu, na muralha impenetrável da solidão.

Imagem da Internet

Para mim foi assim.

Mas agora...tinhas de me fazer isto?

Tinhas de lhe dar o que a mim negaste?

Tens medo que ela não aguente a vida austera que eu tive?

A tinta com que assinaste os papéis de divórcio e a escritura de partilhas - em que me fizeste pagar generosamente a tua austeridade de tantos anos e ainda dizes que fiquei muito bem - ainda mal secou e tu...tu fazes-me isto?!

 

Imagem da Internet

 

Para a outra, umas mini-férias num lugar da moda, hotel com SPA e massagens, direito a ceia de reveillon espectáculo e diversão!

Tudo o que nunca tive, tudo o que me dizias "não valer a pena" ofereces agora a quem ainda mal começou a trilhar contigo o duro caminho da vida?

Imagem da Internet

E suspeito que estás a pagar esses luxos com o dinheiro que me exigiste para que os filhos - OS TEUS FILHOS - não ficassem sem casa nem pensão?!!!

Imagem da Internet

 

A ira me agita, a indignação me sufoca (Shakespeare, what else?)!

Mas eu hoje sou Dido, a misérrima Dido...

Frenética, delira,
Pálido o rosto lindo
A madeixa subtil desentrançada;
Já com trémulo pé entra sem tino
No ditoso aposento,
Onde do infido amante
Ouviu, enternecida,
Magoados suspiros, brandas queixas.
Ali as cruéis Parcas lhe mostraram
As ilíacas roupas que, pendentes
Do tálamo dourado, descobriam
O lustroso pavês, a teucra espada
.

 


Choro e grito e só não me arrepelo porque desde que deixaste a minha vida que o meu outrora copioso cabelo teima em seguir-te...

Porquê?

Como pode a minha vida ter sido tão desperdiçada? Tão inútil como inútil foi este casamento.

Dido, a misérrima Dido vagueando por entre os corredores do palácio...

Imagem da Internet

A misérrima Dido,
Pelos paços reais vaga ululando,
C'os turvos olhos inda em vão procura
O fugitivo Eneias.
Só ermas ruas, só desertas praças
A recente Cartago lhe apresenta;

Mas eu não sou Dido, nem o meu apartamento é um palácio, nem me vou imolar por quem não merece...e tu de herói nada tens, qual comparação com Eneias?!

A solidão sim, essa está comigo.

Não quero impor a minha presença de  divorciada a ninguém. Detesto o sentimento de "ser número ímpar".

Conseguiste trancar-me em casa mais uma vez!

E fiquei em casa, eu mais a minha solidão.

 

Vamos afastá-la.

Velas, incenso, patês, salmão, uma flute de champanhe - Veuve Clicquot, porque sim, porque eu gosto, porque eu mereço e tu já cá não estás para me dizeres "Não te chega?" a qualquer reles alcool borbulhante made-com-água-do-Trancão que me deixava enjoada o resto da noite ! 

Três vezes tenta erguer-se,
Três vezes desmaiada, sobre o leito
O corpo revolvendo, ao céu levanta

Levanto-me mas é da cama onde me deixei cair em prantos, lavo a cara e espalho generosamente o meu creme favorito, e nidifico no sofá rodeada das minhas gulodices e aromas.

 

Parece castigo: mais um Reveillon de televisão ...agora numa casa vazia.

 

Este fim-de-ano foi uma merda !
 

 



 

 




In the mood: Na merda
música: Coro Saint Dominics - Este fim de ano foi uma merda!

publicado por A Velha Menina às 00:54

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8 comentários:
De AS a 4 de Janeiro de 2008 às 01:45
Vim parar ao seu blog por mero acaso e depois de ler o seu post , fiquei a pensar sobre ele!
Gostei da forma como descreve a situação e transmite um estado de alma.
Felicidades
AS


De A Velha Menina a 4 de Janeiro de 2008 às 22:47
Obrigada AS.
Há coisas e situações que pensamos que só acontecem aos outros...até ao dia em que nos tocam...
Curiosamente veio-me à memória a história de Dido e Eneias Afinal os clássicos ainda são actuais.
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Obrigada AS. <BR>Há coisas e situações que pensamos que só acontecem aos outros...até ao dia em que nos tocam... <BR>Curiosamente veio-me à memória a história de Dido e Eneias Afinal os clássicos ainda são actuais. <BR class=incorrect name="incorrect" <a>Cumps</A> .


De PeterGreen a 4 de Janeiro de 2008 às 10:44
Como a compreendo...


De A Velha Menina a 4 de Janeiro de 2008 às 22:51
Pois...


De Anónimo a 7 de Janeiro de 2008 às 12:41
Ao ler os seus posts respeitantes ao casamento continuo a recear não estar a prestar suficiente atenção ao que eles poderão significar para mim em termos de prevenção!
O trilho não é original. As agruras, sejam elas os tais filmes, a avareza, a mãe, a ausência de colaboração e de carinho, não se repetem em segunda via - e eu já tive oportunidade de o vislumbrar! Interrogo-me por vezes se a culpa não será nossa, das que vamos aguentando? Quem me dera ter a resposta...
De qualquer forma, penso que, apesar da televisão, começou o ano no "bom caminho". Mime-se o mais possível - já deve ter tido a sua conta de sacrifícios - e tenha esperança pois, tal como a felicidade, a infelicidade não dura sempre.
Um excelente ano de 2008.


De A Velha Menina a 8 de Janeiro de 2008 às 11:32
Caro Anónimo,
Sim, tudo isto é um dejá-vu.
Infelizmente, eu como tantas de nós, não acreditei que estava a acontecer comigo. Era tão humilhante! De dia era uma profissional muito activa e participativa. Quando chegava a casa, era uma mulher oprimida, nunca nada estava bem e se tinha a ousadia de querer conversar, ouvia logo "que disparate é esse?". Se a comida não estava a contento, podia contar com um serão irritado e mesmo violento.
E eu sorria para que os filhos nada percebessem...
No dia seguinte lá ia eu, chefiar uma equipa...Parecia que eu era duas pessoas diferentes no mesmo invólucro.
Tudo desculpei, para tudo arranjava uma justificação, tentei ver amor em cada gesto, havia os filhos...e os anos foram passando.
Reparei tarde demais que ele tinha usado comigo a táctica do agressor : isolar-me dos amigos e família, só o trabalho tinha importância, controlava tudo desde as contas até ao progresso da minha carreira e tornava-se violento se o contradizia. Não aceitava um erro, cansaço ou desânimo. Se eu contestava, dizia que eu não tinha ninguém (claro, ele tratou de afastar toda a gente e até a minha ex-sogra-dragão se atreveu a tecer comentários acerca dos meus amigos).
E nesta política de "tu não vales nada, só eu é que te aturo" foi minando a minha auto-estima e independência.
Juntou-lhe os "não te chega" para qualquer coisa que eu quisesse, como se eu nada merecesse...
Como se deixa uma mulher apanhar por isto? É uma questão para a qual procuro resposta.
Mas aprendi a lição : mesmo que seja o pai dos nossos filhos, mesmo que se tenha esperança, mesmo que ele faça promessas...há que ter a coragem de acabar com este tipo de casamento ...antes que o casamento acabe connosco.
Desde que estou sozinha e passado o choque inicial, descobri que ainda sei pintar, que ainda tenho amigos, que posso ter coisas que quero ter...descobri que ainda sou gente!
Lamento muito a minha passividade de anos, mas parece que é típico da mulher agredida física e psicologicamente: não acredita no que se está a passar e entra em negação.
A violência existe em todas as classes e não é só apanágio da falta de educação ou dinheiro. Nada disso faltava ...e foi o que foi.
Felizmente acabou.
E a vida parece voltar a existir, mesmo com a passagem de ano solitária.
Um beijo



De Lua de Sol a 10 de Janeiro de 2008 às 15:03
Continuas muito magoada, muito enraivecida... Pode haver quem diga que passa... e passa, mas nunca ficará uma indiferença completa, porque fez parte da vida e a vida não se esquece a menos que se ganhe amnésia por acidente.

Sabes que a quantidade de mágoa é proporcional à quantidade de alienação, de aniquilação que se sofreu.

Uma coisa já aprendi há muito tempo: nem tudo o que se diz se faz e vice-versa, e aquilo que se dá a umas (ou a uns) nem sempre é igual...

Regra geral quando um homem já não tem capacidade para dar a uma mulher terá para a próxima...

Experimentei a situação inversa. Alguém que deu muito a quem até poderá não merecer e que ganhou tamanhas barreiras que a mim me obrigava a "um amor e a uma cabana"... E não me refiro só em termos materiais... E não, também não era uma relação com um casado, mas sim com um divorciado... Um divorciado com medo de falhar e que ia falhando por tanto se precaver. Mas, graças a uma situação infeliz, chegou a minha vez, pus os pontos nos "is"... Ou me fazia feliz ou não queria mais viver de "não te chega"... Afinal, ainda aqui estava... merecia alguma confiança.Hoje, sou feliz. Mas ainda me arrependo dos cerca de 5 ou 6 anos que desperdicei. Quando o tempo passa percebemos que é precioso e que mereciamos tê-lo vivido todo!

Pelo menos, este ano, ainda que tenha sido no sofá, e uma merda - no SPA seria bem melhor! - sempre tiveste um champanhe de jeito, uns paladares agradáveis e o comando da Tv!

Vais ver que um dia ainda terás o Reveillon e a vida que desejaste, fica a mágoa da que desperdiçaste... Que fazer?! É sempre assim...

Muitos beijinhos e que 2008 te traga novas alegrias


De A Velha Menina a 14 de Janeiro de 2008 às 04:31
Porque será que as mulheres inteligentes fazem escolhas de parceiro tão erradas?
Também tu sofreste os "não te chega"...
Olha, já nem sei que pensar. Eu casei, foi o primeiro casamento de ambos...e deu nisto.
Tu estiveste com um divorciado...e a desilusão é igual. Que se passa connosco que nos cega na hora de dizer "Aceito"?
Tens razão, estou magoada, mas acima de tudo, envergonhada!
Tenho vergonha de me ter deixado iludir por um homem destes, tenho vergonha de me ter calado, de ter aceite muitos "destratos" pensando que estava a lutar pela minha família.
Afinal, que valor teve isso?
E claro, fiquei furiosa com o reveillon que ele proporcionou "à outra", estaria a mentir se dissesse que me era indiferente. Depois de anos e anos em que nem queria ouvir falar de sair de casa na passagem de ano! Isto mostrou também a consideração (ou falta dela) que o cavalheiro tinha por mim.
E eu deixei!
Não ficávamos em casa por escolha, ou porque nos apetecia. Era imposto!
Há um velho ditado que reza "As primeiras são vassouras, as segundas são senhoras".
E ele fez questão de mo mostrar!
Humilhante, não é?
Eu, que sempre trabalhei, que nunca lhe pedi nada...cai numa situação em que até o que comprava com o meu dinheiro tinha de lhe esconder-parece mentira no século XXI, mas só depois do divórcio pude comprar a minha primeira gabardine (felizmente os últimos anos foram de seca)!
Ofereci-lhe um relógio bom e quando comprei um igual para mim - ambos pagos com o meu dinheiro - fez-me uma cena como não há memória. Mas aceitou e muito bem usou o que lhe dei...
A "outra" tinha um anel de compromisso melhor que o meu anel de noivado...possivelmente comprado com o dinheiro que tive de lhe dar no divórcio - nisto a lei dos homens é muito injusta!
Mas pronto, as acções ficam com quem as pratica e a vida dá muitas voltas.
Como dizes, finalmente tive champanhe decente e, quem sabe, pode ser que finalmente este ano consiga ir à neve.
A gabardina já cá canta!
A felicidade há-de vir - não apenas nos valores materiais - mas acima de tudo, no companheirismo e respeito.

Um grande 2008 para ti amiga e parabéns pela tua felicidade re-encontrada, tu mereces.
Beijinhos



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